Mulheres do Semiárido ocupam as ruas de Remígio (PB) em defesa da vida, da agroecologia e dos territórios
17ª Marcha pela Vida das Mulheres reúne agricultoras em mobilização por direitos, políticas públicas e valorização da agroecologia
SEMIARIDO
Darcy Lima | Assessoria de Comunicação
4/8/20264 min ler


Milhares de mulheres agricultoras ocuparam as ruas da cidade de Remígio, no Agreste da Paraíba, durante a 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, reafirmando a luta pela defesa da vida, dos territórios e da agroecologia no Semiárido brasileiro. A mobilização reuniu participantes de diversos municípios do território da Borborema, Agreste, Cariri e se consolidou como um importante momento de articulação política e celebração da força das mulheres do campo.
Organizada pelo Polo da Borborema e por diversas organizações e movimentos sociais da Paraíba, a Marcha teve início com a concentração das participantes na Lagoa Parque Senhor dos Passos, onde também ocorreu uma feira agroecológica com alimentos produzidos pelas próprias agricultoras. A programação incluiu ainda apresentação de teatro popular, caminhada pelas ruas da cidade e momentos culturais que celebraram a identidade e a resistência das mulheres da região.
Marcha reforça luta por direitos e políticas públicas
Com o tema voltado à defesa da Borborema Agroecológica, a mobilização destacou a importância da agricultura familiar e da agroecologia para garantir vida digna às mulheres e às comunidades rurais. Entre as pautas levantadas durante o evento estiveram a proteção dos territórios camponeses, o enfrentamento às violências contra as mulheres e a defesa de políticas públicas voltadas às agricultoras.
A presença de mulheres de diferentes municípios reforçou a dimensão coletiva da mobilização. Representantes de organizações sindicais e movimentos sociais também participaram da marcha, trazendo as demandas das comunidades rurais.
Maria Antonieta representante do Sindicato Rural de Gurinhém destacou a importância da mobilização para fortalecer a luta das mulheres agricultoras por direitos e acesso às políticas públicas.


“O Sindicato Rural de Gurinhém veio em busca de melhorias e políticas públicas para as mulheres agricultoras da zona rural, porque é uma luta no dia a dia delas para conseguir acesso às políticas públicas”, afirmou.


Agroecologia como caminho de autonomia para as mulheres
Ao longo da caminhada, as mulheres expressaram, por meio de cartazes, cantos e palavras de ordem, a defesa de um modelo de desenvolvimento que valorize os territórios, os saberes tradicionais e a produção de alimentos saudáveis.
A marcha também evidenciou o protagonismo das mulheres agricultoras na construção de alternativas sustentáveis para o Semiárido. Para muitas participantes, o evento representa um espaço de fortalecimento da identidade e da luta das mulheres do campo.
A agricultora Daniele Silva de Costa, que participou da mobilização, ressaltou o significado da marcha para as mulheres da região.
“Essa Marcha representa a força e a luta das mulheres pela agroecologia”, destacou.
Outro momento importante da programação foi o lançamento do Programa Um Milhão de Tetos Solares (P1MTS), iniciativa da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) voltada à ampliação do acesso à energia solar em comunidades do Semiárido, contribuindo para a autonomia energética e para a melhoria das condições de vida das famílias agricultoras.
A programação foi encerrada com apresentação cultural da cirandeira Lia de Itamaracá, que animou as participantes em uma grande roda de ciranda, celebrando a força coletiva das mulheres e a continuidade das lutas por justiça social, igualdade e dignidade no campo.


Presença do SPM NE reforça compromisso com a defesa da vida
Integrantes do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste (SPM NE) participaram da mobilização, reafirmando o compromisso da Pastoral com a defesa da vida, dos direitos humanos e da dignidade das populações mais vulnerabilizadas.
De acordo com Shirley Luiz, representante do SPM NE, a participação da Pastoral na Marcha reforça o compromisso com o debate sobre a valorização das mulheres e a promoção de iniciativas que fortaleçam a vida digna nos territórios.
“Para o SPM NE é de extrema importância juntar mulheres e homens para debater a temática da valorização e da vida das mulheres e da agroecologia. É com muita honra que o SPM traz essa temática dentro de sua vivência nos projetos e capacitações”, afirmou.
A presença do SPM NE na marcha também reforça a importância de caminhar junto com os movimentos sociais que atuam na defesa dos territórios e na promoção da justiça social. Em muitos casos, as desigualdades no campo, a falta de políticas públicas e os impactos socioambientais provocados por grandes empreendimentos contribuem para processos de deslocamento e migração forçada, atingindo especialmente mulheres e suas famílias.
Ao lado das mulheres de todos os territórios da Paraíba e do Brasil o SPM NE reafirma sua missão de apoiar iniciativas que promovam vida digna, solidariedade e direitos para todas as pessoas.











